quarta-feira, 13 de junho de 2012

Lumaum - Angola -África- Boa Viagem!!!...



Olá Angola!!!..., olá conterrâneos e patrícios Angolanos..., quero felicitar-vos por terem iniciado as visitas ao meu blog que está sendo visitado já com certo êxito em algumas partes do Mundo. Quase mil e quinhentos em todo o mundo mas, para um ninguém desconhecido como eu..., este é já um número que deve deixar-me contente..., sendo que este pequeno blog não deixa de ser como que uma pequena herança que vos irei deixar quando partir para a última viagem. ( que mesmo assim..., espero e faço votos de que seja o mais tarde possível..., se possível um pouco para além de uns cinquenta anos..., quer dizer..., cinquenta para cima daqueles a que já cheguei...,  se Deus quiser e assim o permitir. Vão dizer que é muito?Mas então  se o filho do cigano porrada por pedir pouco, mais vale pedir muito, não será?... É como pedir aos santos se podemos pedir directamente a Deus? Se poderemos falar directamente com Deus, para que iremos usar de intermediários? E não será que estes intermediários serão atalhos para ir a Deus e como nos diz certo ditado: "Quem se mete por atalhos, mete-se em trabalhos?" , entenda-se desnecessários, quiçá, quem sabe?...)
Como nada mais tenho para vos deixar..., a cada leitor que se dê ao trabalho ou se disponha a fazer o sacrifício ( que espero não ser assim considerado...) de ler alguns dos meus trabalhos de que ele goste..., essa será a minha maior recompensa.
Eu estive no Lumaum no tempo da sua construção e se há zonas lindas de morrer em Angola..., esta terá de ser uma delas com toda a certeza. Uma zona só em pedra virgem, que o túnel da captação de água até à central foi todo escavado à força de dinamite. O bairro e mais dois outros bairros onde eu morava ficava todo situado à sombra da copa de altas árvores que nos protegiam dos raios solares. De vez em quando ouvia-se um barulho estranho lá em cima. Eram bandos de macacos que atravessavam a copa dessas árvores. Foi lá que um dia tive de beber água num riacho onde bebiam os macacos..., água nascida numa montanha toda em pedra..., onde os macacos deambulavam de vez em quando. Assim que nos viam..., desapareciam à velocidade de um relâmpago. Após esse instante, de vez em quando via-se a cara de um espreitando atrás de uma bananeira selvagem, atrás de um arbusto que de imediato, desaparecia no mesmo instante. Era a nossa diversão aos domingos, passear pelo mato que felizmente de animais selvagens perigosos não os havia muitos por ali, ao contrário de outras zonas em que estive porque meu pai trabalhava em Angola como carpinteiro de cofragem e desde a barragem do Biópio, atá à construção do Caminho de ferro de Moçãmedes, à construção do Liceu em Nova Lisboa, Fábrica de Pasta de Papel no Alto Catumbela, barragem do Lumaum. Na Vila da Ponte, a terra das "Lombonguilas" fruta nativa que não vi em mais lado nenhum em Angola e que tinha uma particularidade especial. Era composta como que por uma raiz em sentido circular à superfície da terra e com uns ramos aí de cinquenta centímetros de altura finos de tal forma que não suportariam o peso da fruta em si. Este fruto era como que em forma de cereja que ficava agarrada à raiz de onde a retirava-mos estando madura quando de uma cor parecida àquela cereja mais escura. Daí poder afirmar que de certa forma, uma das coisas que deixaram mais saudades a muita gente, foi a fruta selvagem que tão bem sabia ao ser comida. Os Maboques, as Gajajas ( de Benguela assim tipo cereja também mas de uma cor amarelo-esverdeada...), as Nonas, as Mangas de uma variedade enorme das quais destaco a Manga Caju com um sabor muito especial, as Bananas das quais destaco também a Banana Oiro e a Banana Maçã e banana Maçã porque ao ser comida, sabia mesmo a maçã, daí o nome que lhe foi dado. Os Mamões e as Papais de um tamanho enormes e ainda as belíssimas Papais Rosa de um sabor especial com um comprimento até uns setenta centímetros pelo menos algumas por vezes e de uma grossura de dez a quinze centímetros com alguns destes frutos a poder pesar entre cinco e dez quilos ou mais em alguns casos especiais. E o dito Mamoeiro tem uma particularidade também ela especial que é: O Mamoeiro macho não dá fruto. Dá uma espécie de cacho de Palmeira macho mas, com um frutuzinho imprestável a ser comido. Mas se for atravessado por um pau e esse pau ser lá deixado..., o desgraçado vira fêmea e começa a dar fruto igual a qualquer outro Mamoeiro fêmea. Engraçado seria saber se esta descoberta foi descoberta ao acaso ou se foi alguém por brincadeira ou por necessidade de criar um suporte num Mamoeiro macho e descobrindo posteriormente que ele tinha começado a dar fruto igual ou seja..., o gajo tinha virado fêmea. Tinha-mos também a banana Cambuta ( em dialecto Umbundo,  Cambuta quer dizer homem baixo mas antes de anão. Não tem nada a ver com anão...) que dava um cacho de bananas do tamanho da bananeira cujo peso poderia ultrapassar os cinquenta quilos.
Só em fruta selvagem, Angola era como que um Éden, um Paraíso em África, o que deixa naturalmente pena e saudades a todos os que ingloriamente, por motivos confusos e interesses terceiros a tiveram de abandonar mas isso, é motivo para outra crónica que não esta. Recuso-me nesta cronica a falar de política ou coisa parecida. Do que pretendo falar aqui é da beleza natural de Angola e de algumas de suas gentes.
Nesse Lumaum de que vos falo, a casa onde fui morar era uma casa de madeira construída por meu pai, em madeira. Sala, dois quartos cozinha e dispensa. W.Cs nessas épocas eram fora de casa. Estamos a falar de acampamentos em plena selva Angolana e águas canalizadas só as havia nas cidades e bairros periféricos.Água para beber e cozinhar, íamos nós os miúdos buscá-la a uma fonte de água no meio da selva, de árvores de grande porte, qual delas a maior e sempre caminhando em plena sombra. Um espectáculo..., o que leva muita gente a naturalmentea apaixonar-se por aquelas terras muito diferentes das da Europa. De predadores selvagens nem vê-los e ainda bem que se não nem pernas haveria para fugir deles. É verdade que passei por zinas de Angola que os havia e em abundância e haviam zonas em que os nativos iam ter como comerciante da zona, (  nas terras chamadas "Terras do fim do Mundo", porquanto ficavam muito longe das cidades, trezentos ou seiscentos quilómetros por exemplo onde também eram as velhas "Chivrolet" americanas que nesses tempos serviam de ambulãncia quando alguén do "Quimbo" ( aldeia típica Africana no meio da selva vedada por cercas feitas de paus aguçados para uma ligeira defesa contra os predadores selvagens...) para que com a sua arma de caça pesada os livrasse de algum leão que andase por ali a rondar o Quimbo. O leão, como mpredador e se acaso for já leão solitário, ataca qualquer ser vivo independentemente de ser humano ou quadrupede. Ele quer é..., enchar a barriguinha. Havia uma zona a uns secenta quilómetros de Vila da Ponte ou Vila Artur de Paiva que se dizia que os leões costumavam a entrar nas "Cubatas" ( casas feitas de paus entrelaçados e recobertos de barro chamadas casas de "Pau a Pique" ) dos negros pegar em algumm deles e levá-lo a fim de comê-lo.Nessas alturas era o branco e sua arma a livrar o negro de tão terrível ameaça. Eu próprio vi na zona do Cólui a caminho de Silva Porto, zona do leão da "Anhara", leão mais pequeno que o normal mas, muito mais perigoso


Um dia deu-se um caso especial: Eu (quer dizer a minha família...) tinha um cão chamado Piloto, um cão de porte entre o médio e o grande. O enfermeiro da companhia de construção, "Os Motas e Companhia", tinha um pastor alemão mas eles não eram amigos, tanto que tinham já andado à luta entre eles. Um dia ia eu buscar água e vinha de lá o serviçal do enfermeiro já com água acompanhado pelo cão, o tal pastor alemão.
O Piloto não se desviou do carreiro ( caminho gentio nós lhes chamava-mos por lá...) e o pastor alemão desviou-se para o lado, para cima do capim para deixar passar o meu cão, o Piloto. O meu cão..., na boa..., sem dar importância ao facto de terem já andado à luta isto é sem ódios, lá seguia à minha frente como que a desbravar caminho como que dizendo-me que podia avançar sem problemas. Quando o Piloto vai a passar pelo Pastor Alemão, nesse exacto momento este vira-se e salta à traição em cima das costas do meu. Lá tivemos mais uma sessão de luta entre cães comigo e com o serviçal do enfermeiro a tentar separar os contendores que não queriam cooperar. Os gajos queriam era luta para que aquele que perdesse ficasse a saber quem mandaria dali para a frente no caminho gentio para ir à fonte de água no meio da selva Angolana nesta região tão linda do Lumaum. Não é para dizer que o meu cão era o maior ( os tamanhos seriam equiparados...) mas, o meu cão, o Piloto ganhou a luta. A partir daí, esse pastor alemão nunca mais procurou meter-se a provocar o meu cão.
Esta coisa dos animais é até engraçada: Tenho um primo que gosta de caça e só irá deixar agora porque esta desporto está pelas horas da morte, só os ricos e os políticos podem agora fazer desse desporto, tão caro se tornou. Foi também uma das formas encontradas para que a caça existente e cada vez menos, seja guardada para os tais que "São mais iguais que os outros." Esse cão de pequena estatura ia sempre à caça à frente do meu primo a fim de espantar os coelhos dos silvados mas, um dia o meu primo foi dar com ele a comer um coelho em que o meu primo tinha atirado e deu-lhe umas pancadas no lombo para ele aprender de que não deveria comer as peças de caça caçadas. Acho que o cão não gostou nada da tareia.

Hoje vinha a caminho de acrescentar umas coisas a este blog e a ideia estava insistindo numa pequena história mas verdadeira das que tenho passadas nessa linda terra que a política mal conduzida deu cabo. É uma questão que sempre se manteve em suspense: Na África do Sul onde havia e se vivia na base do  "Apartheid" os europeus e seus descendentes ficaram lá. Em Angola onde haviam já muitos descendentes até à quinta geração, onde tínhamos muitos brancos a falar correctamente os dialectos correspondentes a essas zonas, onde se vivia uma sociedade multirracial quiçá ímpar em África, os brancos acusados de tudo e mais alguma coisa pelas esquerdas internacionais e nacionais, tiveram de vir embora, embora fizessem falta posterior face ao desenvolvimento de Angola sem olhar a cores ou credos ou raças. Não deveremos esquecer a fim de não incorrer-mos em erro e erro gravíssimo que, os quatro continentes agora separados pelos mares foram em tempos idos um só corpo, uma só superfície e que só foi depois separada em face do movimento das faixas tectónicas, movimento esse que ainda hoje prossegue e que é assiduamente medido por vários cientistas. Isto..., só a fim de chegar a uma e única conclusão..., mesmo que não seja do agrado de todos mas, como também nos diz certo ditado, é "impossível agradar a Gregos e a Troianos" ao mesmo tempo. Não nos esqueçamos de que os Gregos, ( por causa de Helena que se terá apaixonado por um dos príncipes de Tróia levando-a este com ele para a mesma cidade de Tróia...) atacaram esta cidade fortificada mas como não conseguiram entrar, usaram da astúcia para entrarem e vingarem o que eles diziam ser mas sem ser verdade, o rapto de Helena. Foi então construído o famoso cavalo de Tróia em madeira retirada dos navios Gregos cheio de soldados Gregos lá dentro do bojo do cavalo que depois os Troianos, palermas, parvos, burros e estúpidos,  puxaram com grande canseira para dentro das portas da cidade de Tróia, que era o que queriam os Gregos. Esperaram pacientemente pela noite e depois, enquanto dormiam os Troianos estes saem do dojo do cavalo abrindo as portas da cidade para que entrasse todo o exército Grego e assim derrotassem os Troianos que perderam tudo inclusive a vida porque foram todos mortos ou o resto deles, feitos e vendidos depois como escravos. Era assim a vida naqueles tempos difíceis. Esta mulher, mais conhecida por Helena de Tróia ficou bem cara a este Povo que se desgraçou por mor dela.
Também há quem acredite e com bases fundamentadas que, fossem cumpridos em Angola os Acordos De Alvor assinados pelos três movimentos principais onde estavam incluídas "Eleições" gerais, a guerra fratricida em Angola, não teria tido lugar. Foi a entrega de Angola ao MPLA com único representante dos Angolanos que gerou esta guerra fratricida que dizem matou mais Angolanos do que os treze anos de luta armada com o poder Português. Não vale a pena gritar aos quatro ventos que foi a UNITA de Jonas Malheiro Savimbi a iniciar e fazer a tão terrível guerra civil, porque muita gente sabe que isso não corresponde nem nunca corresponderá à verdade. A verdade é sempre só uma e única e não costuma servir vários interesses ao mesmo tempo. Ou melhor, a verdade nunca serve interesses forem eles quais sejam.  A verdade pode é ir contra os vários interesses instalados, independentemente da cor política dos vários interessados. A verdade não tem cor, não tem credo, não tem raça, servindo por isso a todos. Foi em princípio o que fez Nelson Mandela. Angola teve o azar de não ter tido um dirigente a essa altura. Se teve um..., ficou-se sem o saber porque foi morto depois de denunciada a sua posição por um satélite americano, aquando da visita deste que se dá por Eduardo dos Santos mas que há quem desconfie que não seja aos U.S.A. para conferências político-económicas defendendo não sei se o interesse das duas nações ou o interesse particular dos mesmos. Foi muita coincidência o exército do MPLA saber a exacta situação no terreno do velho "Quatcha" e algo que ainda intriga mais é o facto de parecer ter sido ele encontrado sozinho. Onde estavam as suas tropas que o acompanhariam naquele seu regresso à Zâmbia, como parece que seria sua intenção naquela altura? Uma coisa é certa: Por questões de honra e responsabilidade política nem Jonas Savimbi nem Assumane Mané deveriam ter sido mortos da forma que morreram, sem terem possibilidades a defenderem-se em tribunal das acusações que lhes fossem feitas. Tendo nós já visto tantos ditadores depois de provas contra eles de crimes cometidos contra seus Povos serem condenados a exílio num outro País, continuo com minha opinião que foi crime acabar assim deste modo com a vida destes dois homens que representam algo nos seus respectivos Países. A América com a responsabilidade que um dia puxou para si de "Polícia do Mundo" não deveria ter participado na morte insidiosa desta personalidade Angolana, nascido em Angola de pais Angolanos e com direitos inalienáveis de filho da sua Pátria Angolana. Não era este Eduardo dos Santos que se duvida seja Angolano como o era Savimbi que poderia determinar vida ou morte a Savimbi. Como presidente imposto a Angola pelo ainda poder soviético bolchevique não tinha esse direito. Esse direito só poderia ser-lhe autorizado por Deus e não seria Deus a dar-lhe direitos sobre algo que só Ele tem em Sua Omnipotência. Este que ainda responde por Eduardo dos santos que se cuide porque no dia do Juízo Final, Deus tem esta pergunta a fazer-lhe. Quem lhe deu poder de vida e de morte sobre tantos Angolanos que morreram às mãos e às armas do MPLA? Não só a ele evidentemente mas assim como a todos os ditadores deste mundo. Não escaparão a esta pergunta de Deus e depois quero ver como irão tentar descalçar essa bota quem sabe, ainda na ideia estúpida de querer enganar a Deus nessa altura, como se isso fosse possível. Acerca de ditadores falta ainda dizer-se uma coisa: São espertos na forma como alcançam o poder mas..., mostram depois serem burros na forma como nele se mantém pela forma em como maltratam seus Povos em lugar de os tratarem bem e que assim..., teriam tudo deles e mais alguma coisa ainda.  Há quem desconfie que este seja uma fotocópia do verdadeiro, sem se saber o verdadeiro destino do mesmo. A mentira sim, tem tudo isso e muito mais.A mentira serve para confundir tudo r todos  a fim de servir vários e por vezes inconfessos interesses



 Além disso, não sendo barbeiro cortou milhares de cabelos a colegas e amigos e mais aos fins de semana mas uma das coisas que pode deixar-me mais saudade é a fruta do mato, desde os maboques passando às nonas,as gajajas de Benguela e às lombonguilas de Vila de Ponte ou Vila Artur de Paiva ali mais para a zona das minas de Cassinga? onde esteve situado o Quartel General da UNITA. E essas lombonguilas tinham uma particularidade especial

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